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TDAH6 min de leitura

O que muda no TDAH na adolescência

É comum ouvir que o TDAH melhora na adolescência. Parte disso é verdade, mas a leitura completa é mais complicada.

O que costuma diminuir é a hiperatividade visível. As dificuldades de organização, planejamento e regulação seguem, e agora encontram um ambiente que exige muito mais autonomia.

Os sintomas somem na adolescência?

Não somem, mudam de forma. A agitação motora tende a se transformar em inquietação interna, aquela sensação de não conseguir relaxar.

Em paralelo, a impulsividade passa a aparecer em decisões com consequências mais sérias que na infância, e a desatenção encontra um contexto escolar com múltiplas disciplinas, prazos longos e menos supervisão direta. É por isso que muitos adolescentes com bom desempenho anterior entram em queda justamente nessa fase.

Por que o desempenho escolar costuma cair?

Porque a estrutura externa que sustentava a organização desaparece quase de uma vez.

No ensino fundamental, um professor acompanhava tudo e os pais checavam a agenda. No ensino médio, o adolescente precisa gerenciar sozinho prazos de várias matérias, provas acumuladas e trabalhos longos, usando justamente as funções executivas que são o núcleo da dificuldade. O problema não é falta de capacidade, é excesso de demanda executiva sem andaime.

E quando o adolescente recusa tratamento?

Essa recusa é comum e costuma ter menos a ver com o tratamento em si e mais com o desejo legítimo de não ser tratado como problema a ser consertado.

O caminho que funciona é trazê-lo para o centro da decisão, com informação honesta e objetivos que façam sentido para a vida dele, e não apenas para as notas. Um adolescente que entende como o próprio funcionamento afeta o que ele quer conquistar costuma se engajar de forma bem diferente daquele que apenas cumpre ordem dos pais.

  • Inclua o adolescente nas conversas com o profissional
  • Conecte o tratamento a objetivos que são dele, não seus
  • Negocie o formato do apoio em vez de impor
  • Respeite a privacidade dele sobre o diagnóstico

Quais riscos merecem atenção nessa fase?

A adolescência concentra alguns riscos que se relacionam diretamente com impulsividade e com a autoestima desgastada ao longo dos anos.

Uso precoce de substâncias, comportamento de risco no trânsito e quadros de ansiedade e depressão aparecem com mais frequência em adolescentes com TDAH não tratado. Esse é um dos argumentos mais fortes para manter acompanhamento nessa fase, mesmo quando a agitação da infância já não está mais visível.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Faraone SV, Banaschewski T, Coghill D et al.. The World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2021.
  2. National Institute for Health and Care Excellence. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87). NICE, Reino Unido, 2019.
  3. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.

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