10 sinais de autismo que passam despercebidos
Os sinais clássicos de autismo são bem divulgados. Já os sutis costumam ser explicados como personalidade (“ele é tímido”, “ela é do contra”, “é só teimosia”), e é justamente por isso que atrasam tanto o diagnóstico.
A lista abaixo reúne comportamentos que ouvimos com frequência de famílias que só receberam o diagnóstico anos depois do primeiro sinal.
O tema em números
4 vezes
mais diagnósticos de TEA em meninos do que em meninas nos dados de vigilância
Fonte: CDC, ADDM Network, 2023
Quais sinais de autismo são mais confundidos com personalidade?
São os que envolvem rigidez, sensibilidade sensorial e dificuldades sociais discretas, porque todos eles têm uma explicação socialmente aceitável à mão.
Veja os dez que mais aparecem tarde:
- Reação desproporcional a mudanças pequenas de rotina ou de trajeto
- Incômodo intenso com etiquetas de roupa, costuras ou determinados tecidos
- Dificuldade em brincar de faz de conta ou em entrar em brincadeiras de grupo
- Fala com vocabulário adulto demais para a idade, quase “decorado”
- Interesse muito intenso e detalhista por um único assunto
- Dificuldade em entender piadas, ironia ou expressões figuradas
- Repetir falas de desenhos ou vídeos fora de contexto (ecolalia)
- Andar na ponta dos pés depois da idade esperada
- Cobrir os ouvidos em ambientes barulhentos como shopping ou festas
- Preferir brincar sozinho de forma consistente, e não apenas às vezes
Por que meninas costumam ser diagnosticadas mais tarde?
Porque muitas meninas autistas desenvolvem estratégias de imitação social, o chamado “mascaramento”, que escondem as dificuldades em ambientes estruturados como a escola.
Elas observam as colegas, copiam comportamentos e conseguem se adaptar durante o dia, mas frequentemente entram em colapso emocional ao chegar em casa, quando a demanda de mascarar cessa. Esse contraste entre “na escola vai bem” e “em casa desmonta” é um dos sinais mais importantes e mais ignorados.
Esses sinais aparecem só na infância?
Não. Muitos adultos recebem diagnóstico tardio justamente por terem passado a vida inteira com esses sinais interpretados como traços de personalidade.
Se você reconhece vários desses comportamentos na sua própria história enquanto lê sobre o seu filho, isso não é coincidência: o autismo tem forte componente hereditário, e não é raro que a investigação da criança leve a família a entender também a história dos pais.
Referências
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.
- Lord C, Elsabbagh M, Baird G, Veenstra-Vanderweele J. Autism spectrum disorder. The Lancet, 2018.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, SBP, 2019.
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