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Autismo7 min de leitura

Como reconhecer sinais de autismo no seu filho

Muitos pais chegam ao consultório dizendo a mesma frase: “eu sentia que alguma coisa era diferente, mas todo mundo dizia que era só uma fase”. Essa intuição costuma estar certa com mais frequência do que se imagina.

Reconhecer sinais de autismo não é diagnosticar. É saber o que observar, com que consistência, e em que momento buscar ajuda profissional.

O tema em números

1 em 36

crianças de 8 anos identificadas com TEA na rede de vigilância norte-americana

Fonte: CDC, ADDM Network, 2023

18 a 24 meses

idade a partir da qual o diagnóstico costuma ser confiável

Fonte: American Academy of Pediatrics, 2020

Quais são os primeiros sinais de autismo em bebês?

Os primeiros sinais aparecem principalmente na comunicação social: pouco contato visual, não responder ao próprio nome por volta dos 12 meses, e não apontar para mostrar interesse por algo.

Nessa fase, o mais revelador não é o que a criança faz, mas o que ela deixa de fazer. Bebês típicos usam o olhar e o gesto para compartilhar atenção com o adulto muito antes de falar. Quando esse compartilhamento não aparece, vale investigar.

  • Não responde ao nome aos 12 meses
  • Não aponta para objetos de interesse aos 14 meses
  • Não faz brincadeiras de faz de conta aos 18 meses
  • Evita contato visual de forma consistente
  • Não imita expressões faciais ou gestos simples

Sinais isolados já são motivo de preocupação?

Não. Um comportamento isolado, aparecendo de vez em quando, raramente significa alguma coisa por si só.

O que importa é o padrão: vários sinais presentes ao mesmo tempo, de forma persistente por semanas ou meses, e em ambientes diferentes (em casa, na creche, com outras pessoas). Uma criança que às vezes não responde ao nome porque está concentrada é muito diferente de uma criança que raramente responde, em qualquer situação.

Meu filho fala, então não pode ser autismo?

Pode, sim. Falar não descarta autismo. O espectro é amplo, e existem crianças com vocabulário rico e fala fluente que ainda assim têm dificuldades importantes de comunicação social.

Nesses casos, o que chama atenção é a qualidade da comunicação, não a quantidade: uso repetitivo de frases decoradas, dificuldade em manter uma conversa de ida e volta, monólogos sobre um interesse específico, ou dificuldade em entender ironia e linguagem figurada.

O que fazer se eu identificar vários desses sinais?

Procure uma avaliação especializada, sem esperar a criança “melhorar sozinha”. O caminho mais comum é começar por uma avaliação interdisciplinar ou neuropsicológica, que reúne observação clínica, entrevista com a família e instrumentos padronizados.

Vale reforçar: buscar avaliação não é rotular a criança. É entender como ela funciona, para oferecer o suporte certo no momento em que ele faz mais diferença.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Centers for Disease Control and Prevention. Learn the Signs. Act Early.: Milestone Checklists. CDC, Estados Unidos, 2024.
  2. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, SBP, 2019.
  4. Hyman SL, Levy SE, Myers SM; American Academy of Pediatrics. Identification, Evaluation, and Management of Children With Autism Spectrum Disorder. Pediatrics, 2020.

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