Meu filho é distraído ou tem TDAH?
Praticamente toda criança se distrai, esquece o material, sonha acordada na aula. Isso não é TDAH, é infância.
A diferença está em três dimensões: intensidade, consistência entre ambientes, e prejuízo real na vida da criança.
O tema em números
cerca de 5%
das crianças e adolescentes no mundo preenchem critérios para TDAH
Fonte: World Federation of ADHD, Consenso Internacional, 2021
6 meses
tempo mínimo de persistência dos sintomas exigido pelos critérios diagnósticos
Fonte: DSM-5-TR, 2023
Como saber se a desatenção do meu filho é normal?
A desatenção típica é situacional: aparece em tarefas chatas, quando a criança está cansada, ou em momentos específicos, mas não impede o funcionamento geral.
No TDAH, a desatenção aparece em vários contextos (casa, escola, atividades de lazer), persiste por pelo menos seis meses e já produziu consequências concretas: notas abaixo do potencial, materiais perdidos com frequência, conflitos recorrentes, tarefas que nunca são concluídas.
Se ele consegue focar em videogame, pode ser TDAH?
Sim, e essa é provavelmente a maior confusão sobre o transtorno. TDAH não é falta de atenção, é dificuldade de regular para onde a atenção vai.
Atividades com recompensa imediata, feedback constante e estímulo alto (jogos, vídeos curtos) capturam a atenção sem esforço voluntário. Já ler um capítulo de história ou fazer uma lista de exercícios exige que a criança sustente o foco por vontade própria, e é exatamente essa a função prejudicada no TDAH. A hiperconcentração em algo interessante é um sinal do transtorno, não um argumento contra ele.
TDAH sempre vem com hiperatividade?
Não. Existe a apresentação predominantemente desatenta, muito comum e muito subdiagnosticada, especialmente em meninas.
Essas crianças não incomodam: são quietas, parecem distraídas ou “no mundo da lua”, entregam trabalhos incompletos e passam anos sendo descritas como preguiçosas ou desinteressadas. Como não geram problema de comportamento em sala, raramente são encaminhadas para avaliação.
Como é feita a avaliação de TDAH?
O diagnóstico é clínico e depende de informações de mais de uma fonte: entrevista com a família, questionários padronizados respondidos por pais e escola, e frequentemente uma avaliação neuropsicológica que mapeia atenção, memória de trabalho e funções executivas.
Não existe exame de imagem ou de sangue que feche o diagnóstico. E é justamente por isso que a qualidade da avaliação importa tanto: ela precisa descartar outras causas de desatenção, como ansiedade, dificuldades de aprendizagem ou problemas de sono.
Referências
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.
- National Institute for Health and Care Excellence. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87). NICE, Reino Unido, 2019.
- Faraone SV, Banaschewski T, Coghill D et al.. The World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2021.
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