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Avaliação7 min de leitura

Quando vale a pena fazer avaliação neuropsicológica

Muitas famílias chegam à avaliação neuropsicológica esperando apenas um nome: tem ou não tem TDAH, é ou não é autismo.

O nome é uma parte pequena do que ela entrega. O valor real está no mapa detalhado de como aquela criança processa informação.

O que exatamente a avaliação neuropsicológica investiga?

Ela mapeia funções cognitivas específicas por meio de testes padronizados: atenção, memória, linguagem, funções executivas, raciocínio, velocidade de processamento e habilidades visuoespaciais.

O resultado não é uma nota geral, mas um perfil com picos e vales. Duas crianças com o mesmo diagnóstico podem ter perfis completamente diferentes, e é esse perfil, não o rótulo, que define quais intervenções fazem sentido.

Em quais situações ela é indicada?

As indicações mais frequentes envolvem discrepância entre potencial e desempenho, ou dúvida diagnóstica entre condições com sintomas parecidos.

  • Suspeita de TDAH, TEA ou transtornos de aprendizagem
  • Desempenho escolar muito abaixo do que a criança demonstra ser capaz
  • Dúvida entre diagnósticos com sintomas semelhantes
  • Necessidade de documentação para adaptações escolares
  • Acompanhamento da evolução após período de intervenção

Como funciona o processo e quanto tempo leva?

Costuma envolver de 6 a 10 sessões, distribuídas em algumas semanas: entrevista inicial com os pais, sessões de aplicação de testes com a criança, coleta de informações da escola e uma sessão final de devolutiva.

As sessões com a criança são conduzidas em formato de atividades, e a maioria não percebe o processo como algo aversivo. É importante que estejam distribuídas ao longo de semanas, porque testar cognição em criança cansada produz resultado que não representa a capacidade real dela.

O que o relatório final deve conter?

Um relatório útil vai muito além da conclusão diagnóstica: ele descreve o perfil cognitivo encontrado e traduz isso em recomendações concretas para casa, escola e terapias.

Se o documento que você recebeu diz apenas o diagnóstico e uma recomendação genérica de “acompanhamento psicológico”, ele está aquém do que a avaliação deveria entregar. Peça esclarecimentos. O relatório é o principal produto de todo o processo, e será usado por escola e equipe terapêutica por anos.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Conselho Federal de Psicologia. Resoluções sobre avaliação psicológica e elaboração de documentos escritos. CFP, 2022.
  2. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.
  3. Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins. Documentos e diretrizes sobre transtornos do neurodesenvolvimento. ABENEPI, 2023.
  4. Brasil. Lei nº 13.146, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, 2015.

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