TDAH em meninas: por que passa despercebido
A imagem mais difundida do TDAH é a de uma criança que não para quieta, interrompe a aula e se mexe o tempo todo. Esse retrato corresponde a uma parte dos casos, não a todos.
Em muitas meninas, o transtorno se apresenta de forma predominantemente desatenta, sem a agitação motora que costuma disparar o encaminhamento para avaliação.
O tema em números
cerca de 5%
prevalência estimada de TDAH em crianças e adolescentes
Fonte: World Federation of ADHD, Consenso Internacional, 2021
O que é a apresentação desatenta do TDAH?
É a forma do transtorno em que predominam dificuldades de sustentar atenção, organizar tarefas e concluir atividades, sem hiperatividade motora evidente.
A criança pode parecer distraída, lenta para começar tarefas ou constantemente perdida nos próprios pensamentos. Como ela não atrapalha a aula, o comportamento raramente é interpretado como sintoma, e sim como traço de personalidade.
- Parece prestar atenção, mas não retém o que foi dito
- Demora muito para iniciar tarefas simples
- Perde materiais e esquece prazos com frequência
- Rende bem abaixo do que demonstra ser capaz
- Gasta muito mais tempo que os colegas na mesma atividade
Por que meninas são diagnosticadas mais tarde?
Porque o encaminhamento escolar costuma ser disparado pelo incômodo que a criança gera, e não pelo sofrimento que ela sente.
Uma menina que erra provas mas fica quieta gera menos alerta que um menino que se levanta da cadeira. Some-se a isso o esforço frequente de compensar as dificuldades trabalhando muito mais que os colegas, o que mascara o quadro até que a demanda acadêmica cresça e a estratégia deixe de funcionar.
Quais são as consequências do diagnóstico tardio?
A mais comum é o impacto na autoimagem, construído ao longo de anos ouvindo que faltava esforço ou capricho.
Meninas com TDAH não diagnosticado frequentemente desenvolvem ansiedade e autocobrança elevada, justamente porque atribuem a si mesmas uma falha de caráter para explicar dificuldades que têm origem neurobiológica. Esse componente costuma exigir acompanhamento psicológico próprio, além do tratamento do TDAH.
Como saber se vale investigar?
Vale investigar quando existe uma diferença persistente entre a capacidade que a criança demonstra e o resultado que ela consegue entregar.
Esse descompasso, quando aparece em mais de um ambiente e se mantém por meses, é motivo suficiente para uma avaliação neuropsicológica, mesmo sem nenhuma agitação motora envolvida.
Referências
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.
- Faraone SV, Banaschewski T, Coghill D et al.. The World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2021.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.
- National Institute for Health and Care Excellence. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87). NICE, Reino Unido, 2019.
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