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Rotina7 min de leitura

Dificuldade para dormir e neurodesenvolvimento

Famílias de crianças com TEA ou TDAH relatam problemas de sono com frequência muito acima da média. E raramente esse tema recebe a atenção que merece nas consultas.

Isso é um problema, porque o sono é uma das variáveis que mais afeta atenção, humor e regulação emocional no dia seguinte.

O tema em números

10 a 13 horas

sono diário recomendado entre 3 e 5 anos, incluindo cochilos

Fonte: OMS, 2019

9 a 12 horas

sono diário recomendado em idade escolar

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Por que crianças com autismo ou TDAH dormem pior?

Por razões biológicas, não apenas comportamentais: há evidência de alterações na produção e no ritmo da melatonina em parte dessas crianças, além de maior dificuldade de “desligar” o estado de alerta.

Somam-se a isso fatores sensoriais (incômodo com tecido, temperatura, ruídos que outras pessoas ignoram) e cognitivos (pensamentos acelerados, dificuldade em interromper um interesse intenso). Não é falta de disciplina na rotina.

Como o sono ruim piora os sintomas durante o dia?

A privação de sono afeta diretamente as mesmas funções já comprometidas nesses quadros: atenção sustentada, controle de impulsos, memória de trabalho e regulação emocional.

Na prática, isso cria um ciclo: a criança dorme mal, no dia seguinte se desregula mais, tem mais conflitos e mais estresse, o que dificulta ainda mais o sono na noite seguinte. Quebrar esse ciclo costuma produzir melhora perceptível em vários sintomas ao mesmo tempo.

O que ajuda a melhorar a rotina de sono?

As medidas mais eficazes são ambientais e de previsibilidade, aplicadas com consistência por várias semanas antes de se avaliar o resultado.

  • Mesmo horário de dormir e acordar, inclusive nos fins de semana
  • Rotina noturna curta, previsível e sempre na mesma ordem
  • Sem telas pelo menos 1 hora antes de deitar
  • Quarto escuro, silencioso e fresco; considerar cortina blackout
  • Atividade física durante o dia, mas não perto da hora de dormir
  • Avaliar tecidos de pijama e roupa de cama se houver sensibilidade sensorial

Quando procurar ajuda profissional para o sono?

Quando as medidas comportamentais aplicadas de forma consistente por 4 a 6 semanas não produziram mudança, ou quando há sinais de apneia do sono, como ronco alto, pausas na respiração e sono muito agitado.

Suplementação de melatonina é bastante estudada nesse contexto, mas a indicação, a dose e o horário devem ser definidos por médico. O horário, inclusive, importa tanto quanto a dose.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização: Distúrbios do Sono na Infância. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, SBP, 2017.
  2. World Health Organization. Guidelines on Physical Activity, Sedentary Behaviour and Sleep for Children Under 5 Years of Age. OMS, Genebra, 2019.
  3. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.

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