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Família5 min de leitura

Quando avós e familiares não aceitam o diagnóstico

Depois do diagnóstico, muitas famílias descobrem que a parte mais difícil não é a condição em si, e sim convencer o próprio círculo de que ela existe.

Comentários como “está exagerando” ou “falta é pulso firme” costumam vir justamente de quem se esperava apoio.

Por que familiares negam o diagnóstico?

Na maioria das vezes, a negação é uma forma de lidar com a própria dor, e não uma avaliação técnica do quadro.

Aceitar o diagnóstico significa aceitar que o neto ou sobrinho enfrentará dificuldades, e isso mobiliza um luto que nem todos conseguem elaborar no mesmo ritmo dos pais. Também pesa a diferença geracional: condições que hoje são identificadas simplesmente não eram nomeadas décadas atrás, o que sustenta a impressão de que são invenção recente.

Vale a pena tentar convencer?

Vale tentar informar, mas não vale condicionar a rotina da criança a essa aceitação.

Compartilhar material confiável, convidar para uma consulta ou explicar de forma concreta o que muda no dia a dia costuma ajudar quem está aberto. Quando a resistência se mantém, insistir em convencer consome uma energia que a família precisa em outro lugar, e a criança não pode ficar esperando esse consenso para receber apoio.

Que limites são razoáveis?

O limite mínimo é a proteção da criança contra comentários depreciativos e contra o desmonte das estratégias combinadas.

Um familiar pode discordar do diagnóstico em conversa com os adultos, mas não pode dizer à criança que ela é preguiçosa, nem descumprir de forma sistemática combinados que fazem parte do plano terapêutico. Esse limite pode e deve ser comunicado de forma direta, com consequência clara.

  • Nenhum comentário depreciativo na frente da criança
  • Combinados terapêuticos precisam ser respeitados nas visitas
  • Discordância se conversa entre adultos, em outro momento
  • Reduza a exposição quando o limite não é respeitado

Como lidar com o desgaste emocional disso?

Reconhecer que existe uma perda real ajuda: a família imaginava contar com aquela rede e descobriu que ela não está disponível daquela forma.

Buscar apoio em quem de fato compreende, incluindo grupos de pais em situação parecida, costuma compensar parte dessa ausência. E vale lembrar que muitas dessas posições mudam com o tempo, principalmente quando os resultados do acompanhamento se tornam visíveis para quem estava resistente.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Conselho Federal de Psicologia. Resoluções sobre avaliação psicológica e elaboração de documentos escritos. CFP, 2022.
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, SBP, 2019.
  3. Brasil. Lei nº 12.764, Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Diário Oficial da União, 2012.

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