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Sensorial5 min de leitura

Meu filho anda na ponta do pé: devo me preocupar?

Andar na ponta do pé é frequente no início da marcha e costuma desaparecer sozinho nos primeiros anos.

Quando persiste, vale entender a origem, porque as causas possíveis são bem diferentes entre si e pedem condutas distintas.

Até que idade isso é esperado?

Nos primeiros meses após a criança começar a andar, alternar entre pisar normalmente e na ponta do pé é comum e não indica problema.

A partir dos dois anos, espera-se que o padrão maduro de marcha já esteja predominante. A persistência depois dos três anos, principalmente quando a criança quase nunca apoia o calcanhar, é o critério mais usado para indicar avaliação.

Quais são as causas mais comuns?

Existem três grupos principais de causa, e diferenciá-los é justamente o objetivo da avaliação.

O primeiro é o hábito idiopático, em que nenhuma causa estrutural é encontrada. O segundo envolve questões sensoriais, muito comuns em crianças autistas, em que a criança busca ou evita determinados estímulos ao pisar. O terceiro é motor, incluindo encurtamento do tendão calcâneo ou alterações de tônus, que exigem acompanhamento específico.

  • Hábito idiopático, sem causa estrutural identificada
  • Busca ou evitação sensorial, comum no autismo
  • Encurtamento do tendão calcâneo
  • Alterações de tônus muscular

Andar na ponta do pé indica autismo?

Isoladamente, não. É um sinal que aparece com mais frequência em crianças autistas, mas está longe de ser específico.

O que muda a leitura é a companhia de outros sinais, como diferenças na comunicação social, interesses restritos e sensibilidades sensoriais marcantes. Uma criança que anda na ponta do pé e se desenvolve tipicamente em todas as outras áreas dificilmente está sinalizando autismo por esse comportamento.

O que a avaliação investiga?

A avaliação verifica a amplitude de movimento do tornozelo, o tônus, o padrão de marcha e o perfil sensorial da criança.

A conduta muda conforme o achado. Quadros sensoriais respondem bem à terapia ocupacional, enquanto encurtamentos podem exigir fisioterapia e alongamento orientado. Deixar evoluir sem avaliação tem um custo real, porque o encurtamento tende a se consolidar e a ficar mais difícil de reverter com o tempo.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. American Occupational Therapy Association. Occupational Therapy Practice Framework: Domain and Process. American Journal of Occupational Therapy, 2020.
  2. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Resoluções sobre áreas de competência do terapeuta ocupacional. COFFITO, 2023.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, SBP, 2019.

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