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Linguagem6 min de leitura

O que é comunicação alternativa e quando ela é indicada

Quando a fala não se desenvolve no ritmo esperado, uma das principais indicações é introduzir recursos de comunicação alternativa.

A proposta costuma gerar resistência na família, quase sempre pelo mesmo motivo: o receio de que a criança se acomode e desista de falar.

O que é comunicação aumentativa e alternativa?

É o conjunto de recursos que permite a uma pessoa se comunicar sem depender exclusivamente da fala, indo de figuras impressas a aplicativos com voz sintetizada.

O termo aumentativa se refere ao uso junto com a fala existente, e alternativa ao uso no lugar dela. Na prática, a maioria das crianças transita entre os dois formatos conforme o contexto e o quanto está regulada naquele momento.

  • Pranchas de figuras impressas para uso em casa e na escola
  • Aplicativos de comunicação com síntese de voz em tablet
  • Cartões de troca de figuras para pedidos e escolhas
  • Gestos e sinais combinados com a família

Usar figuras ou aplicativo atrapalha a fala?

Não. Os estudos sobre o tema apontam de forma consistente na direção oposta: o uso de comunicação alternativa se associa a mais desenvolvimento de fala, e não a menos.

A explicação é razoavelmente intuitiva. Quando a criança descobre que se comunicar funciona, que apontar uma figura faz o adulto entender e responder, a motivação para comunicar aumenta. A fala tende a surgir dentro desse repertório ampliado, e não apesar dele.

Quando a comunicação alternativa é indicada?

Sempre que existe uma diferença importante entre o que a criança quer comunicar e o que ela consegue expressar pela fala.

Isso inclui crianças sem fala, mas também aquelas que falam pouco, que têm fala pouco inteligível, ou que perdem o acesso à fala em momentos de sobrecarga. Esperar a fala aparecer sozinha antes de oferecer um recurso alternativo costuma custar anos de comunicação possível.

Como a família participa desse processo?

A participação da família é o que determina se o recurso vai funcionar de verdade, porque comunicação só se sustenta se todos ao redor a usarem.

Isso significa manter a prancha ou o aplicativo disponível o tempo inteiro, e não apenas nas sessões de terapia, e também usar o recurso ao falar com a criança. Quando só a criança usa e os adultos não, a ferramenta vira tarefa em vez de linguagem.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Documentos oficiais sobre áreas de atuação e competências do fonoaudiólogo. CFFa, 2023.
  2. American Speech-Language-Hearing Association. Practice Portal: Speech and Language Disorders in Children. ASHA, 2024.
  3. Hyman SL, Levy SE, Myers SM; American Academy of Pediatrics. Identification, Evaluation, and Management of Children With Autism Spectrum Disorder. Pediatrics, 2020.

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