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Linguagem5 min de leitura

Chupeta e mamadeira atrapalham a fala?

Poucas dúvidas são tão recorrentes nos primeiros anos quanto o efeito da chupeta sobre a fala, e as respostas costumam variar bastante entre profissionais.

A evidência é razoavelmente clara quando se separa uso pontual de uso prolongado ao longo do dia.

A chupeta prejudica o desenvolvimento da fala?

O uso ocasional em bebês pequenos não é considerado problema. O que preocupa é o uso prolongado ao longo do dia depois dos dois anos.

O impacto acontece por dois caminhos. O primeiro é mecânico: a chupeta ocupa a boca e reduz o tempo em que a criança vocaliza e experimenta sons. O segundo é estrutural: o uso prolongado altera o posicionamento da língua e o formato da arcada, o que pode afetar a articulação de alguns sons.

Até que idade o uso é considerado aceitável?

A orientação mais comum é reduzir progressivamente a partir de um ano e concluir a retirada por volta dos dois a três anos.

Depois dessa idade, aumenta a chance de alterações na arcada dentária e de padrões articulatórios que depois exigem intervenção fonoaudiológica. A retirada mais cedo, feita de forma gradual, costuma ser bem mais tranquila do que se imagina.

E a mamadeira?

A mamadeira levanta preocupações semelhantes, principalmente quando o uso se estende bastante além do período de amamentação.

O padrão de sucção prolongado interfere na musculatura oral e na transição para a mastigação madura, que é importante tanto para a alimentação quanto para a articulação. A recomendação geral é fazer a transição para copo ao longo do segundo ano de vida.

Como fazer a retirada sem trauma?

A retirada gradual, combinada previamente com a criança, funciona melhor do que a retirada abrupta ou os recursos de assustar.

Restringir por contexto, começando por eliminar o uso durante o dia e mantendo apenas para dormir, é a estratégia mais usada. Vale lembrar que a chupeta cumpre função de autorregulação para muitas crianças, e por isso é importante oferecer outras formas de acalmar durante a transição.

  • Restrinja primeiro por ambiente, depois por horário
  • Combine a mudança com a criança em vez de retirar de surpresa
  • Evite recursos de medo ou vergonha
  • Ofereça outras estratégias de acalmar no período de transição

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Documentos oficiais sobre áreas de atuação e competências do fonoaudiólogo. CFFa, 2023.
  2. American Speech-Language-Hearing Association. Practice Portal: Speech and Language Disorders in Children. ASHA, 2024.
  3. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: marcos do desenvolvimento infantil. Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Brasília, 2023.

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