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Escola6 min de leitura

Como ajudar uma criança autista a fazer amigos

A preocupação com amizades é uma das mais frequentes entre pais de crianças autistas, principalmente quando a criança relata que passa o recreio sozinha.

Antes de montar qualquer estratégia, vale separar duas coisas bem diferentes: a criança que sofre com o isolamento e a criança que prefere o próprio espaço.

Toda criança autista quer ter amigos?

Não necessariamente, e essa é uma distinção importante antes de intervir. Algumas crianças ficam sozinhas por escolha e se sentem bem assim.

O sinal de que há sofrimento envolvido aparece de outras formas: tristeza ao falar do assunto, tentativas de aproximação que dão errado repetidamente, ou pedidos explícitos para ter com quem brincar. Nesses casos, o apoio faz sentido. Quando a criança está confortável, forçar convivência costuma gerar mais desgaste do que ganho.

Qual o objetivo realista da socialização?

O objetivo é qualidade de vínculo, não quantidade. Um ou dois amigos com quem a criança se sente confortável já cumprem a função protetora que a socialização precisa cumprir.

Buscar popularidade ou integração com o grupo grande costuma ser frustrante e desnecessário. A convivência em grupos pequenos, com atividade estruturada e tema definido, é bem mais favorável ao perfil da maioria das crianças autistas.

O que funciona na prática?

Encontros curtos, com começo e fim previsíveis e uma atividade concreta no centro, funcionam melhor do que convites abertos para brincar.

Uma atividade compartilhada tira o peso da conversa espontânea, que é justamente a parte mais difícil. Montar um lego, jogar um jogo de tabuleiro ou assistir a algo juntos oferece estrutura suficiente para o vínculo acontecer sem exigir improviso social constante.

  • Prefira encontros de uma criança por vez, e não em grupo
  • Defina uma atividade concreta antes do encontro começar
  • Combine uma duração curta, com possibilidade de estender se estiver bom
  • Escolha um ambiente já conhecido pela criança, de preferência a própria casa

Como a escola pode ajudar?

A escola tem um papel decisivo, principalmente no recreio, que costuma ser o momento mais difícil por ser o menos estruturado do dia.

Oferecer atividades dirigidas nesse período, montar grupos de trabalho de forma intencional e orientar a turma sobre convivência são medidas de baixo custo e efeito importante. Vale solicitá-las de forma explícita na reunião com a coordenação.

Referências

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.

  1. Lord C, Elsabbagh M, Baird G, Veenstra-Vanderweele J. Autism spectrum disorder. The Lancet, 2018.
  2. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. MEC, Brasília, 2008.
  3. Brasil. Lei nº 13.146, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, 2015.

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