Como ajudar uma criança autista a fazer amigos
A preocupação com amizades é uma das mais frequentes entre pais de crianças autistas, principalmente quando a criança relata que passa o recreio sozinha.
Antes de montar qualquer estratégia, vale separar duas coisas bem diferentes: a criança que sofre com o isolamento e a criança que prefere o próprio espaço.
Toda criança autista quer ter amigos?
Não necessariamente, e essa é uma distinção importante antes de intervir. Algumas crianças ficam sozinhas por escolha e se sentem bem assim.
O sinal de que há sofrimento envolvido aparece de outras formas: tristeza ao falar do assunto, tentativas de aproximação que dão errado repetidamente, ou pedidos explícitos para ter com quem brincar. Nesses casos, o apoio faz sentido. Quando a criança está confortável, forçar convivência costuma gerar mais desgaste do que ganho.
Qual o objetivo realista da socialização?
O objetivo é qualidade de vínculo, não quantidade. Um ou dois amigos com quem a criança se sente confortável já cumprem a função protetora que a socialização precisa cumprir.
Buscar popularidade ou integração com o grupo grande costuma ser frustrante e desnecessário. A convivência em grupos pequenos, com atividade estruturada e tema definido, é bem mais favorável ao perfil da maioria das crianças autistas.
O que funciona na prática?
Encontros curtos, com começo e fim previsíveis e uma atividade concreta no centro, funcionam melhor do que convites abertos para brincar.
Uma atividade compartilhada tira o peso da conversa espontânea, que é justamente a parte mais difícil. Montar um lego, jogar um jogo de tabuleiro ou assistir a algo juntos oferece estrutura suficiente para o vínculo acontecer sem exigir improviso social constante.
- Prefira encontros de uma criança por vez, e não em grupo
- Defina uma atividade concreta antes do encontro começar
- Combine uma duração curta, com possibilidade de estender se estiver bom
- Escolha um ambiente já conhecido pela criança, de preferência a própria casa
Como a escola pode ajudar?
A escola tem um papel decisivo, principalmente no recreio, que costuma ser o momento mais difícil por ser o menos estruturado do dia.
Oferecer atividades dirigidas nesse período, montar grupos de trabalho de forma intencional e orientar a turma sobre convivência são medidas de baixo custo e efeito importante. Vale solicitá-las de forma explícita na reunião com a coordenação.
Referências
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individualizada.
- Lord C, Elsabbagh M, Baird G, Veenstra-Vanderweele J. Autism spectrum disorder. The Lancet, 2018.
- Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. MEC, Brasília, 2008.
- Brasil. Lei nº 13.146, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, 2015.
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